terça-feira, 29 de novembro de 2011

Operação Zenaida 2011 preserva a reprodução da arribaçã no sertão paraibano

João Pessoa (28/11/2011) – Como parte do planejamento anual de operações do Ibama, equipe de fiscalização da Superintendência do Ibama na Paraíba deslocou-se recentemente ao sertão paraibano com objetivo de realizar a operação Zenaida, que vem sendo realizada há muitos anos para coibir a caça predatória da ave migratória Zenaida auriculata noronha, nossa popular arribaçã, que, nessa época do ano, ainda está em fase de postura de ovos, aparecendo em grandes bandos no sertão paraibano, e cuja caça predatória (das aves adultas), com a destruição de seus ninhos e ovos, vem colocando a espécie em risco.




Como resultado da operação Zenaida em 2011, foram aplicados 33 autos de infração e as multas somaram R$126,4 mil. Foram ainda apreendidas 114 aves vivas e 28 animais abatidos. As ações foram realizadas nos municípios de São João do Rio do Peixe, Sousa, São José de Piranhas, Pombal, São Bentinho, Cajazeiras, Jardim de Piranhas, São Bento, São Domingos de Pombal, Taperoá e Picuí.



Desde o início do período das chuvas e pelos meses seguintes, grandes bandos de arribaçãs começam a surgir para se alimentar e fazer seus locais de postura de ovos. A alimentação preferida dessas aves são as sementes de capim, de marmeleiro e outras variedades de sementes típicas da caatinga. Graças às incursões da fiscalização e sua permanência periódica nas áreas críticas de ocorrência das arribaçãs, uma boa parte dos ovos postos tem tido sua eclosão garantida.



De acordo com o analista ambiental Jaime Pereira da Costa, chefe de operações de fiscalização no estado, durante a captura das arribaçãs, à noite, indefesas em seus ninhos, ocorre grande crueldade, com os caçadores matando os animais a pauladas e pisoteando seus ovos, comprometendo seriamente as novas gerações de avoantes, o que a longo prazo irá resultar na redução drástica da presença deste animal no sertão paraibano e empobrecendo nossa fauna.



A arribaçã é tradicionalmente consumida na região como “tira-gosto”. No entanto o abate ou a captura de qualquer animal silvestre é crime e o costume de capturar os animais na época de sua reprodução, quando se agrupam em grande bandos, constroem seus ninhos e ficam mais suscetíveis à caça predatória, vem prejudicando a espécie em toda a região Nordeste, verificando-se a diminuição de sua população ano após ano.



Em anos anteriores, a operação Zenaida contou com o apoio do Batalhão de Polícia Ambiental. Em certa ocasião, chegaram a ser apreendidas até 35 mil sangras (petrechos de caça), que foram devidamente incineradas nos locais de apreensão. Uma avaliação de custo e benefícios revela que o prejuízo dos caçadores que utilizam esta modalidade de crime ambiental (captura das aves com armadilha) tem sido razoável, partindo do princípio de que a confecção de cada armadilha custa R$ 2,00. Também, em alguns anos, os pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa para Conservação das Aves Silvestres (CEMAVE) acompanharam a equipe do Ibama e, em paralelo às ações de fiscalização, desenvolveram seu trabalho de levantamentos de dados e anilhamento de exemplares para posterior monitoramento de seu percurso migratório.



O analista ambiental do Ibama Jaime Pereira da Costa chegou, inclusive, a desenvolver uma metodologia de pesquisa nas áreas de postura das arribaçãs com objetivo de fornecer números mais exatos sobre a dinâmica de população e avaliar o índice de sobrevivência desta espécie. Também tem sido feito um trabalho de sensibilização dos produtores rurais nas comunidades visitadas e, graças à presença do Ibama nos locais de postura, têm sido inibidas muitas ações predatórias, permitindo-se a sobrevivência de milhares de aves.

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