sábado, 24 de setembro de 2011

CANÁRIO DA TERRA – PAIXÃO NACIONAL

O canário da terra (Sicalis flaveola) é o pássaro canoro mais popular do Brasil, uma verdadeira paixão nacional. Ele se distribui por todo o País em muitas de suas formas. O mais comum é o que se estende do Nordeste até o Norte do Paraná. Até pouco tempo atrás estava praticamente extinto em certas regiões onde outrora era abundante. Agora, populações estão se refazendo, em especial no Estado de Minas Gerais, na Zona da Mata que passa por um povoamento espantoso, até maior do que havia anteriormente.
Precisamos, todavia, poder efetivamente ajudar a sociedade a praticar, onde for necessária, a reintrodução na natureza, lógico seguindo os protocolos oficiais de reintrodução. Com o canário é muito fácil executá-la, são inúmeros os exemplos. O repovoamento se dá em progressão geométrica, em poucos anos originários de cinco casais se tornam milhares se as condições ambientais forem boas. Por incrível que pareça, o capim “brachiária” originário da África e que está muito ajudando nesse sentido. Onde há essa gramínea a população de canários cresce espantosamente.


Precisamos, também, poder oferecer e atender a demanda dos criadores e dos mantenedores, sem que haja nenhum tipo de captura no ambiente natural. Com muita satisfação estamos sabendo que várias entidades. Iniciou-se, também a implementação de criadores com objetivos comerciais, o que ótimo para combater o tráfico ilegal e gerar empregos e vidas.

É difícil reproduzir os canários em ambientes domésticos? Não, não é. O canário-da-terra, especialmente, é o pássaro brasileiro de mais fácil manejo. Come de tudo, é onívoro e se adapta com facilidade a qualquer tipo de ambiente. Suporta bem o frio e calor ocorrentes em todas as regiões do Brasil. Temos, contudo, se quisermos obter sucesso, que escolher um local adequado para que eles possam exercer a procriação. Esse local deve ser claro, arejado e sem correntes de vento. A temperatura ideal deve ficar na faixa de 20 a 35 graus Celsius e umidade relativa entre 50 e 60%. O sol não precisa ser direto, mas se puder ser, melhor. A melhor época para a reprodução no Centro Sul do Brasil é de novembro a maio, coincidente com o período chuvoso.

Pode-se criar em viveiros, mas pela dificuldade de todo o manejo, notadamente do controle do ambiente e da higiene é melhor criar-se em gaiolas. Essas devem ser de puro arame, com medida de 60 cm comprimento x 30cm largura x 35cm altura, com quatro portas na frente, comedouros pelo lado de fora. No fundo ou bandeja colocar papel, tipo jornal para ser retirado todos os dias logo que o canária tomar banho, momento esse que se deve retirar a banheira para colocá-la no outro dia de manhã cedo. Não importa se ela esteja chocando ou com filhotes, o banho diário é indispensável a todo o plantel matrizeiro.

O ninho (caixa tipo ninheira feita de madeira) tem as seguintes dimensões: 25 cm comprimentoX 14 cm largura X 12 cm. altura, e tem que ser colocado pelo lado de fora da gaiola para não ocupar espaço. Dividido ao meio, terá uma tampa móvel e outra gradeada para o manuseio de filhotes e de ovos. O substrato – material para o canário confeccionar o ninho – deve ser o saco de estopa novo (usado para ensacar café), cabelo de cavalo cortados a 15 cm e retalhos de palha de coco-da-Bahia, fácil de encontrar no mercado é também ótimo para finalização do ninho. Quando for realizar o outro choco desmanchar o ninho, esterilizá-lo com calor e colocar novo material da cama. Colocar o material no fundo da gaiola para que a fêmea, quando estiver na hora, carregar sozinha para a caixa ninho. Nessa hora começa a pedir gala e é o momento propício para colocar o macho para galar.

O número de ovos de cada postura varia entre quatro e seis, e cada canária choca quatro vezes por ano, podendo tirar até 20 filhotes por temporada. Bota sempre no segundo dia após a última gala, na parte da manhã até por volta das 9:00 hs. As canárias podem ficar bem próximas umas das outras separadas por uma divisão de tábua ou plástico, mas não podem se ver, de forma alguma. Senão, matam os filhotes ou interrompem o processo do choco, se isto acontecer. Cuidado não trocar fêmeas de lugar por causa do ciúme que pode provocar na vizinha, se esta estiver com filhotes pode agredi-los num acesso de ira.

No processo da gala, o macho principalmente deve saber passar de gaiola de um lado para o outro com a presteza necessária. Deve-se retirar a tábua que separa a gaiola da fêmea somente tendo a certeza que ela está receptiva, fácil de perceber porque o ninho deverá estar quase terminado. O macho pode galar até três vezes por dia fêmeas diferentes, durante 4/5 dias. Depois disso, dar um descanso de uma semana para não diminuir a fertilidade. Só coloque para galar canários que estejam com a muda seca e com espigão aparecendo.

O filhote nasce aos treze dias depois de a fêmea deitar e sai do ninho também aos treze dias de idade, pode ser separado da mãe com 35 dias. Com oito meses, ainda pardos, já poderão procriar. Possuímos uma fêmea que está com quase dez anos de idade e ainda cria perfeitamente. Dela já produzimos mais de 100 filhotes, é uma produtividade fantástica. As anilhas serão colocadas do quinto ao sétimo dia, com anilha 2.8 mm. Pode-se trocar os ovos e os filhotes de mãe quando estão no ninho, sem prejudicar ou causar abandono da fêmea.

Observar que quando os filhotes estão em processo de saída do ninho a mãe inicia outro processo de choco, coloque bastante material para que ela não arranque penas dos ninhegos e coloque o macho para galar. Não há problemas, ela pode chocar e manter juntos os filhotes do choco anterior. Assim que a nova ninhada nascer eles podem ser isolados. Quando separar os filhotes das fêmeas é bom deixá-los juntos, a razão de 10/12 por unidade, até no máximo 10 meses de idade em um voador de 1m a 1.20m, tipo desses que se usa para canários belgas. Importantíssimo que o gaiolão com os filhotes tome sol na parte da manhã, isto assegurará um ótimo ganho na questão saúde dos canários.

Ambientes restritos como um criadouro de muitas matrizes os indivíduos ficam com a agressividade exacerbada, em especial quando os filhotes estão novinhos é o momento do auge do ciúme e do zelo. Então, se o casal estiver junto é muito comum ele agredir violentamente a fêmea e os filhos. Por isso, deve-se utilizar um macho de excelente qualidade para cinco fêmeas, chama-se de processo de poligamia. Nunca deixá-lo junto, pois ele quase sempre prejudica o processo de reprodução. O melhor é colocá-lo para galar e imediatamente afastar da fêmea. Esse é um processo que resulta em um ganho custo/benefício. Pode-se ter um macho de extrema qualidade e produzir um grande número de filhos além do ganho de espaço. Uma exceção, porém quando alguma fêmea, nova no mistér, às vezes se é obrigado a colocar o macho junto para que ela se sinta estimulada a iniciar o processo de choco. Nesse caso, deve-se retirar o macho somente após o oitavo dia após ela deitar sob os ovos porque se o fizer antes pode abandonar o ninho.

O canário é um pássaro barato e o número de criadores que reproduzem está crescendo muito. Todos aficionados só querem filhotes de campeões. Está provado que os pássaros nascidos domesticamente são melhores que os seus irmãos selvagens. O canário não foge à regra, é fácil comprovar. Cruzando-se os melhores com os melhores conseguiremos verdadeiras máquinas de cantar. Pode-se, utilizar o processo de endogamia até obter-se um homozigoto que irá produzir espécimes com a qualidade que se deseja. Uma sugestão importante: para obter pássaros campeões só cruze canários de excelente qualidade porque através desse tipo de melhoramento genético vamos cada vez mais desestimular que as pessoas procurem pássaros de origem desconhecida.

Como essa questão genética é muito complexa, a partir de informações dos criadores de canários belgas que tem experiência de séculos, chegamos à conclusão que não se devem cruzar pássaros de origem diferentes porque haverá uma grande diversidade de qualidade e de comportamento entre as crias. Dizem os geneticistas: para se ter animais de alta qualidade genética o macho deve ser parente da fêmea. Está provado que na natureza os canários vivem em comunidades e nessas populações há um grande nível de endogamia entre os indivíduos, por isso se sabe que canários originários de determinadas regiões tem características idênticas.

De final, recomenda-se:nunca solte na natureza filhotes criados é proibido pelas normas estabelecidas. Para se fazer solturas é necessário obediência a um protocolo oficial coordenado pelo IBAMA.

TEXTO RETIRADO DO SITE LAGOPAS

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